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18 de out. de 2016

O mercado financeiro de Santiago do Chile

(Caroline Santiago)

Diferente de outras grandes cidades e áreas metropolitanas do mundo, Santiago do Chile não possui uma única entidade administrativa metropolitana encarregada de sua administração. Atualmente, a cidade é dividida em diversas autoridades locais, o que demanda um esforço adicional (nem sempre realizado com sucesso) de coordenação.

Segundo a atual estrutura territorial chilena, o território nacional está dividido em três níveis (regiões, províncias e comunas), mas a cidade de Santiago não se enquadra perfeitamente em nenhum deles, possuindo um estatuto especial. A chamada Região Metropolitana de Santiago (RMS) foi criada em 1976 para englobar uma área metropolitana criada dois anos antes, a partir da antiga Província de Santiago, mas uma série de localidades não foram incluídas em seu território, como Melipilla e Talagante. Já em nível provincial, a aglomeração urbana da Grande Santiago sobrepassa os limites da atual RMS (antiga Província de Santiago), alcançando províncias vizinhas como Cordillera, Maipo e Talagante. Mesmo assim, a RMS manteve a estrutura administrativa de comunas, possuindo atualmente 36 delas.

Quando a RMS foi formada em 1976, não se manteve a figura, como nas demais províncias, o cargo de governador provincial. Portanto, na RMS essa função é exercida pelo Intendente. Em 2001 foi criado o cargo de "Delegado provincial", que exerce as funções de governador, representando o Intendente, mas com poder muito menor que o dele, como os governadores provinciais de todo o país. 

A cidade de Santiago é o principal centro financeiro e comercial do Chile e um dos mais importantes da América Latina. Estudos projetam que em 2020, seu PIB (PPA) chegaria a US$225 bilhões, com uma taxa de crescimento anual efetiva de 3,8%, mantendo boa posição a nível mundial, sendo superada na América Latina apenas por São Paulo, Cidade do México, Rio de Janeiro, Buenos Aires e Bogotá.

Quase 80% do produto interno bruto regional provêm do setor terciário, sendo que 26,16% do PIB existe graças aos serviços financeiros e empresariais e 13,99% devido ao comércio. A indústria produz 16,50% do PIB, o setor agropecuário apenas 1,06% e a mineração 0,93%, devido principalmente à mineradora de cobre Disputada de Las Condes. Em relação à geração do valor agregado por setores em nível nacional, na cidade de Santiago são gerados 45% da produção industrial nacional, 43% do setor da construção civil, 52% do setor de transportes, 64% do setor comercial e 77% do setor financeiro.

Em Santiago estão localizadas as principais instituições econômicas do país, incluindo a Bolsa de Comércio de Santiago (cujo principal índice bursátil é o IPSA), e a maioria das sedes de empresas nacionais e multi-nacionais, como LAN, Farmácias Ahumada, Santa Isabel, Falabella, Nestlé, HP, Reuters, JP Morgan, Intel, Coca-Cola, Unilever, Kodak, BHP-Billiton, IBM, Motorola, Microsoft, Ford, Toyota, Yahoo!, entre outras. Graças a tratados de livre comércio, assinados desde a década de 2000 com os Estados Unidos, União Europeia, República Popular da China, Japão, Coreia do Sul, entre outros, diversas empresas internacionais têm utilizado Santiago como uma plataforma de entrada ao mercado latino-americano.

Segundo a revista América Economia, Santiago é uma das melhores cidades para se fazer negócios da América Latina, ficando em diversas áreas entre as primeiras posições. Inclusive, em 2007, Miami e Santiago, empatadas em primeiro lugar, foram consideradas as melhores cidades da América para se realizar novos negócios. Em relação ao comércio, tem crescido muito nos últimos anos, potenciado pela construção de vários centros comerciais em diversas zonas da capital e pelo auge dos inúmeros hipermercados.

A indústria, responsável por cerca de 50% do PIB nacional, se concentra próxima à capital, Santiago. Os principais segmentos são o alimentício, a produção de vinho, têxtil, metalúrgico, siderúrgico, mecânico, maquinário, cimento, madeira e derivados, beneficiamento de minérios, etc.

A mineração, por sua vez, é uma das principais responsáveis pela captação de receitas financeiras, visto que ela impulsiona tanto o setor industrial quanto o de serviços. O solo chileno é extremamente rico em recursos minerais, com destaque para as reservas de cobre – o país é o maior produtor e exportador mundial. Outros importantes minérios são: carvão, manganês, minério de ferro, molibdênio, zinco, chumbo e ouro.

Hoje em dia (setembro de 2016), o principal indicador da Bolsa de Valores de Santiago, o IPSA tem flutuado ao redor dos 4 mil pontos, com um volume de ações negociadas de 39 bilhões de pesos chilenos (US$ 59 milhões), em 12.862 operações.

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