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12 de abr. de 2016

Saldo comercial positivo : o reflexo dos gastos menores com importações no primeiro trimestre de 2016

(Isabel Cattoni)

Com o aprofundamento do sensível desgaste da demanda e da atividade econômica doméstica no Brasil, além da desvalorização acentuada no câmbio, o que contribui para uma perspectiva de saldo positivo da balança comercial, o primeiro trimestre de 2016 conheceu um superávit histórico. As projeções para esse resultado anual passam de US$ 33 bilhões, tal como previsto em outubro de 2015 Trata-se de uma perspectiva bastante plausível, uma vez que, só no primeiro trimestre de 2016, o país já obteve um saldo elevado pouco superior a US$ 8 bilhões, segundo números oficiais. Trata-se do melhor resultado para meses de março desde 1989. Ou seja, é o melhor superávit registrado num mês de março em 28 anos. De acordo com Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), a balança comercial registrou apenas no segundo bimestre do ano, uma elevação de mais de US$ 4 bilhões nas exportações.

Vale ressaltar que o aumento do saldo, deriva, em particular, de considerável contração nos gastos com importações, de acordo com os dados do governo, a melhora do saldo positivo da balança comercial em março está relacionada, principalmente, com a forte queda das importações (-30%), uma vez que as vendas externas também recuaram no mês passado, mas em menor proporção (-5,8%), não significando uma melhora quanto às probabilidades elevadas para a economia doméstica. Pode-se afirmar, de fato, que o aumento esperado para os volumes que são embarcados para o exterior – especialmente de produtos industrializados – está conexo à maior disponibilidade dos mesmos para a exportação com relação ao menor consumo interno. Nesta sequência, as mais amplas receitas de exportação esperadas para produtos manufaturados não devem refletir em aumento da atividade industrial, mas sim, apenas amortecer efeitos negativos ainda mais exacerbados sobre a indústria brasileira, acarretando a uma elevação da participação – ainda que baixa, num total – das vendas externas sobre o total setorial.

O significativo recuo das compras do exterior acontece em um ambiente de fraco nível de atividade no país – com a economia brasileira em recessão – e também de alta do dólar, além de uma forte crise política, que afeta diversos segmentos de investimentos e índices de mercado, acabando por encarecer os importados e barateia as vendas externas. Destacando dois setores positivos nas exportações em 2016, dentre os industrializados, um é o complexo automobilístico, com um crescimento de 7,6% de estimativa, alavancada por maior volume embarcado aos parceiros latinos, como México, Colômbia e Uruguai, por conta de atuais acordos bilaterais, pela melhora nas recentes relações com a Argentina – mesmo que as expectativas sejam pouco otimistas. O segundo, é o agronegócio, por conta do açúcar, e o complexo petroquímico, ambos beneficiados por uma elevação dos volumes exportados. Mesmo que a perspectiva seja ainda de aumento dos volumes embarcados, os preços das principais commodities no mercado internacional (a exemplo do petróleo e do minério de ferro) devem seguir em queda.

No caminho das importações, a expectativa de regresso relevante dos gastos em 2016 está pautada ao ambiente de recessão doméstica e à marcante desvalorização do real frente ao dólar, que encarece os produtos estrangeiros na moeda nacional. Quanto às importações de bens de capital, as quedas expressivas esperadas em 2016 devem ser principalmente determinadas pela menor produção industrial interna e pelo recuo dos investimentos, reduzindo a demanda por importados. Já os bens de consumo devem ser depreciados, em particular, pela contração da renda das famílias, pela menor oferta de crédito e pelos juros mais elevados, inibindo o consumo doméstico. Adicionalmente, a expectativa é de compressão também nos gastos com importação de matérias-primas e produtos intermediários (insumos que se integram ao produto final) neste ano. Além de expressiva baixa dos volumes importados, os preços de itens relevantes da rubrica devem seguir em queda (como os do petróleo e do complexo químico).

Referências:

http://economiaemercado.wordpress.com/2016/02/10/maior-saldo-comercial-deve-refletir-menor-gasto-com-importacoes/
http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/04/balanca-comercial-tem-melhor-resultado-para-marco-em-28-anos.html

Comércio internacional do Marrocos

(Ana Paula Lima Coelho)

O Marrocos está localizado no extremo noroeste da África, é limitado ao norte pelo Estreito de Gibraltar (onde faz fronteira com a Espanha) e pelo mar Mediterrâneo, pela Argélia, a leste, e, ao sul, pela Mauritânia, através do Saara Ocidental. O território do país ocupa área de 711 mil km2 , e a população é de 32 milhões de habitantes. As principais cidades do país são Rabat (capital), Casablanca, Salé e Fez.

O setor de serviços representa 51% do PIB, o setor industrial, 32%, e o agrícola, 17%. Trigo, cevada, frutas e verduras são os principais cultivos agrícolas do país, e o resultado das safras é determinante para a performance econômica marroquina. O país dispõe de poucos recursos minerais, e o fosfato é sua principal riqueza. No setor industrial, destacam-se o segmento têxtil, o processamento de alimentos, o refino de petróleo e a montagem de produtos eletrônicos. O turismo desempenha importante papel na economia local. Entre 2008 e 2012, a economia do Marrocos cresceu em média 4,4% ao ano. O crescimento da economia do país, em 2012, foi inferior ao registrado nos anos anteriores, devido ao mau desempenho da agricultura local, cujas receitas se reduziram em aproximadamente 6% em relação a 2011, e da crise econômica na União Europeia, principal parceira econômica do país.

Em ranking organizado pela UNCTAD em 2011, o Marrocos foi considerado o 67º mercado mundial, (70º exportador mundial e o 59º importador). De 2007 a 2011, as exportações do Marrocos reduziram-se em 12,2%, de US$ 17,3 bilhões para US$ 15,2 bilhões. Segundo dados da Apex-Brasil, os principais destinos das exportações do Marrocos, em 2010, foram França (participação de 21%), Espanha (20%), Índia (5%), Estados Unidos (4%) e Alemanha (4%). Os principais produtos da pauta de exportações do país são confecções, condutores elétricos, produtos químicos inorgânicos e adubos e fertilizantes. Já quanto as importações entre 2007 e 2011, as importações do Marrocos aumentaram apenas 2,9%, de US$ 27,03 bilhões para US$ 27,82 bilhões. Em 2011, reduziram-se em 3,2% em relação a 2010, quando haviam somado US$ 28,74 bilhões. Seus principais parceiros importadores em 2010, foram França, Espanha, China, Estados Unidos e Itália.

Relação Brasil x Marrocos

O intercâmbio comercial entre o Brasil e o Marrocos cresceu 30,1% entre 2008 e 2012. Em 2012, as trocas entre os dois países cresceram 7,3% em relação a 2011, de US$ 2,01 bilhões para US$ 2,15 bilhões. O Marrocos foi o nosso 5º maior parceiro comercial do Brasil na África (representatividade de 8,3%) e o 41º no mundo (representatividade de 0,43%). Os principais produtos importados em 2012, juntos, representaram 86,3% da pauta, que no geral são produtos minerais, como fosfato e etc.

Foi criada uma associação entre Brasil e Marrocos, chamada Associação de Amizade e Cooperação Brasil Marrocos. Tem como principal objetivo promover o desenvolvimento cultural, econômico e social intercâmbios, parcerias e investimentos entre Brasil e Marrocos.

Para atingir seu objetivo principal, o AACBM pode:

* Promover o fortalecimento e manter amizades e relações entre Brasil e Marrocos.

* Promover o desenvolvimento sócio-econômica de Marrocos, em estreita colaboração com todas as organizações e entidades, públicas e privadas, envolvidas nesta causa.

* Trabalhando para o desenvolvimento sustentável e harmonioso entre o Marrocos e Brasil.

* Promover o conhecimento ea valorização da riqueza e potencial de Marrocos.

* Promover e desenvolver entre os seus membros, uma extensa rede de simpático e profissional, de interesse para as relações Brasil e Marrocos.

* Promover a cultura e arte marroquina, incluindo a realização de eventos e projetos culturais enquadrados ou não a federal, estadual e as leis locais de incentivo à cultura.

* Projeto, promover e implementar projetos, eventos, pesquisa e consultoria em suas áreas de especialização.

* Fortalecimento dos projetos, redes e existente em suas áreas de atuação, através do desenvolvimento de ações coletivas para apoiar as organizações que trabalham nestas áreas brasileiras e parcerias marroquinas.

As relações políticas e econômicas entre os países tem se fortalecido no âmbito das atividades da Cúpula América do Sul e Países Árabes (ASPA), da qual ambos os países tem participado ativamente.

Comércio internacional de moda praia: conquistas e desafios para o Brasil

(Beatriz Teixeira)

O clima tropical que garante altas temperaturas e sol na maior parte do território brasileiro o ano todo, associado a um extenso litoral detentor de praias internacionalmente famosas e que ilustram cartões postais, criam o marketing perfeito para as marcas brasileiras exportadoras de moda de praia. Porém, uma série de outros fatores consolidam o sucesso dos biquínis, maiôs e cangas brasileiros: corte e modelagem aperfeiçoados; designs inovadores; as estampas que carregam cores vivas que remetem à fauna e a flora brasileiras; a presença de detalhes artesanais e a qualidade dos tecidos das peças.

As marcas brasileiras exportam para um grande número de países, cada país possui características culturais diferentes e preferências por certas modelagens, por isso as marcas precisam se adequar ao gosto dos clientes internacionais sem perder sua essência. Alguns dos países consumidores da moda Brasil são Portugal, Espanha, Itália, Japão, França, EUA e até mesmo alguns países da Liga Árabe, com destaque para os Emirados Árabes e o Líbano.

O país que mais demanda os produtos de moda praia do Brasil são os EUA, que é inclusive de onde se obtém o maior retorno lucrativo. Entretanto, enfrentamos também forte concorrência dos produtos mexicanos, que têm apelo cultural, qualidade e não são sobretaxados na importação, como ocorre com os produtos brasileiros, já que o México integra a NAFTA (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio).

Outro grande desafio são os subsídios chineses, que muitas vezes são ilegais ou passíveis de questionamento, conforme diz o diretor superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, “A empresa brasileira não enfrenta apenas os concorrentes internacionais. Enfrenta, por exemplo, o Estado chinês, com subsídios considerados ilegais ou passíveis de questionamento na OMC. Também existem questões que dizem respeito somente a nós, como infraestrutura, burocracia e carga tributária”.

O mercado brasileiro de moda praia tem grande potencial para continuar crescendo, todavia é preciso que o país adote medidas para facilitar os processos de manufatura e exportação. O produto pode chegar ao ponto de venda valendo aproximadamente 13 vezes do seu valor original, o que faz com que haja uma redução de custos no processo de confecção e prejudique empresas menores. O âmbito internacional é muito competitivo e para que o Brasil possa ganhar mais destaque nessa área do ramo têxtil, é essencial que existam mudanças nas estruturas internas do país.